O déficit habitacional relativo no Brasil apresentou queda significativa, passando de 10,2% em 2009 para 7,6% em 2023, segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro (FJP). O levantamento foi realizado para o Ministério das Cidades e leva em conta o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), retomado no início de 2023.
Os números refletem as entregas mais recentes do programa habitacional, que já superam 1,7 milhão de unidades contratadas, consolidando o MCMV como pilar das políticas de acesso à moradia no país.
Déficit habitacional absoluto registra redução
O estudo também aponta queda no déficit habitacional absoluto, que passou de 6,21 milhões de domicílios em 2022 para 5,97 milhões em 2023, uma redução de 3,8%. As regiões Nordeste e Norte tiveram as maiores reduções percentuais, de 7,2% e 5,7%, respectivamente. O Sudeste registrou queda de 5,3%, enquanto no Sul a redução foi de 3,4%.
A região Centro-Oeste foi a única a apresentar crescimento, com aumento de 17,5% no déficit. Os dados reforçam a necessidade de estratégias específicas para diferentes realidades regionais.
Peso dos aluguéis é principal desafio
Apesar dos avanços, o estudo mostra que o ônus excessivo com aluguel urbano segue como maior desafio. O índice, que considera famílias com renda de até três salários mínimos que comprometem mais de 30% com aluguel, atinge 3,66 milhões de domicílios — 61,3% do déficit habitacional.
Entre eles, mais de 1,3 milhão de famílias vivem em situação de dupla pressão: além de pagar valores elevados pelo aluguel, também residem em imóveis inadequados.
Novas linhas do Minha Casa, Minha Vida
Para enfrentar os gargalos, o governo federal anunciou que lançará uma linha voltada à reforma de casas populares, com financiamento acessível e assistência técnica para obras de ampliação, reparos elétricos, hidráulicos ou estruturais.
Outra novidade é a criação da faixa “Minha Casa, Minha Vida – Classe Média”, destinada a famílias com renda entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil. Essa modalidade permitirá financiamento de imóveis de até R$ 500 mil, com juros anuais de 10%.
Segundo o Ministério das Cidades, a pesquisa da FJP servirá de base para novos ajustes na política habitacional, com o objetivo de ampliar o alcance do programa e garantir moradia digna às famílias brasileiras.
